domingo, 15 de agosto de 2010

Indo contra a maré

Indo contra a maré, ao invés de falar de futebol, escrevi um texto que o esporte principal é o volêi, apesar de achar que volêi é só para mulheres e homossexuais! Vejam se gostam. Ó:

Ela jogava vôlei na praça
-Eu não agüento mais! - disse eu ao meu amigo Emanuel.
-Tu ta ratiando. Chega nela de uma vez, cara. - respondeu Emanuel.
Eu, realmente, não agüentava mais, ver aquela menina jogar lindamente vôlei na praça. Para os outros era uma simples menina, mas pra mim não. Não. É muito mais. Ela era do tipo modelo sueca. Magra, tez bem clara, com leves curvas, cabelo dourado, dedos longos, unhas vermelhas. Enfim. Linda, linda, linda. Ela não saía da minha cabeça. Ela estava até nos meus sonhos. Agora, me via com a pergunta mais feita pelo homem na história. Como se aproximar dela, ou como chamar a atenção dela?
Os dias passavam e eu não encontrava a resposta, cada dia, eu pensava estar pronto, mas não estava. Minha cabeça estava confusa, os pensamentos se confundiam entre si. Só tinha certeza de uma coisa... Que ela era demais.
-Fala com a Luisa, que é amiga dela, pra ver como você pode se aproximar. - de novo Emanuel. Um amigão esse Emanuel. É isso. Primeiro falar com a Luisa, depois... Só Deus sabe.
Fui à praçinha, aonde ela e seus amigos costumavam jogar vôlei. Na primeira olhada, vi Luisa sentada, sozinha, fone no ouvido. Ao longe, minha amada, sorrindo, jogando três - corta. Aproximei-me devagarzinho, me apresentei, e começamos a conversar. Luisa me disse seu nome e que o melhor jeito de aproximação é indo jogar vôlei com ela e seus amigos. Beti, ou melhor, Elisabete, seu nome. Uma pessoa legal, a Luisa. Só que, tinha uma coisa. Eu não sabia jogar vôlei!Mas isso não me impediria de, ao menos, falar com ela.
-É hoje! - gritei ao abrir os olhos para um novo dia. O dia decisivo.
Tomei o café-da-manhã com nervosismo. Almocei como um presidiário, como se quisessem roubar minha comida. Contava as horas, os minutos, os segundos até, de tanta angustia. Era como, esperar o jogo final do meu time no campeonato. Entretanto, como fazer uma coisa que não sei?Teria que bolar um plano. Um bom plano.
Chegaria lá, entraria no jogo, tentaria conversar com ela, e ao menor toque da bola, sairia correndo, dizendo estar com dores horríveis no ombro. É. Um bom plano.
Chegou à hora, não podia mais esperar. De casa, já ouvia o som das cortadas e risadas do jogo. Fui até lá, decidido, confiante. Aos poucos fui chegando, e meu coração acelerando os batimentos. Estavam reunidos em forma de circulo, no campo de terra da praçinha, aonde jogos de futebol eram realizados, e nesses jogos marcava meus golzinhos. Ao lado do grupo havia um barranco, não muito grande, e lá fiquei sentado, só observando os movimentos dela.
-Quer jogar com a gente? - perguntou ela, pra minha surpresa, com um leve sorriso no rosto.
-S-sim... - respondi.
Minhas pernas estavam tremendo, me sentia como um jogador na final da Copa do Mundo indo bater o último pênalti. Teria que botar meu plano em pratica. O jogo começou. Minha amada da o primeiro toque na bola, que passa para Greice, que alevanta para Isaías, que então, corta. Como não tirava os olhos da Beti, não percebi que Isaías cortou em minha direção.
-Olha Marlon! –disse ela, para me avisar. Mal tirei os olhos dela... Cataplan!Levei uma bolada de 120 km/h na testa. Fiquei tonto, levei as mãos à cabeça, não sabia onde estava. Comecei a cambalear, tropicar nas minhas próprias pernas, como um bêbado. Todos gargalhavam de mim, ela também gargalhava de mim. Que humilhação!Saí de lá correndo, para nunca mais voltar. Desde então, eu odeio vôlei!
Só se a Beti me convidar para uma partida, quem sabe...

Marlon Pires Ramos

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