Quando completei oito anos de idade,ao soprar as velhinhas,meu pedido foi:
-Um passarinho!
Sempre via meus colegas com seus animais de estimação,mostrando cachorros,gatos,coelhos,ramisters,etc.E eu,sempre solitário,me sentia diferente,distante.Queria sentir a alegria que eles demonstravam ter com seus animais.
Minha casa era muito pequena,por isso,tinha que ser um animal que não ocupasse muito espaço e também fácil de cuidar.Por isso escolhi um passarinho.Acho que alguém lá em cima,ou um familiar,escutou meu pedido.Dias depois Seu Luiz,meu vizinho e amigo da família,apareceu com uma gaiola com um pequeno e simples pássaro.A emoção me atingiu,e fez brotar uma lágrima do meu olho esquerdo.Chegara o dia que eu também teria um animal de estimação.Mas tempo depois eu percebi que meu pássaro era diferente dos demais.
Ele era diferente.Era muito agitado,voava na gaiola de um lado para o outro,gritava até.Batia com o bico entre as grades,batia tanto,mas tanto que sangrava,com isso,sofria mais,gritava mais.
Seu sofrimento era visível.Em vez de alegria,sua chegada trouxe tristeza.Minha avó não agüentou.Devolveu.Foi melhor assim.
Pelo qual motivo fazia aquilo,até hoje,não sei.Talvez fora capturado muito cedo e não sabia viver em cativeiro.Aliás,nenhum animal sabe viver em cativeiro.Eles só se acostumam.
Por isso não devemos capturar e prender os animais.Temos que cuidar melhor,tratar melhor nossos animais.
Principalmente nossos passarinhos.
Marlon Pires Ramos
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